Em uma aldeia tranquila do interior da Rússia, cercada por bosques verdejantes e campos dourados de trigo, vivia um velho camponês chamado Ivan. Ele era um homem simples, de mãos calejadas e olhar sereno, que dedicava seus dias à terra, cultivando com paciência e amor.
Certa manhã de primavera, Ivan pegou uma semente de nabo — não qualquer uma, mas uma que havia ganhado de presente de um viajante, que jurava ser mágica. Ele sorriu, curvou-se à terra e a plantou com cuidado, murmurando:
— Que essa raiz cresça forte e traga fartura à nossa mesa.
Sua esposa, a bondosa e prática Babushka Olga, viu de longe e gritou da varanda:
— Só se não esquecer de regar, meu velho, senão vai colher só vento!
Ivan riu e acenou. Os dias passaram, e ele regava o solo, conversava com a semente e até cantava canções folclóricas. A terra, generosa, respondeu.
O nabo começou a crescer. Cresceu e cresceu. As folhas erguiam-se ao céu como bandeiras verdes. Em poucas semanas, a raiz já ocupava boa parte do canteiro. Curiosos vinham espiar, arregalando os olhos.
— Por todos os santos! — exclamava a vizinha. — Parece uma carroça enterrada!
Quando o outono chegou, Ivan decidiu colher o nabo. Pôs seu velho chapéu de palha, cuspiu nas mãos e se posicionou firme. Agarrou o talo grosso da planta e começou a puxar.
— HMMMMMMMMMM! — gemeu, usando toda a força do corpo.
Puxou uma vez... nada. Puxou duas vezes... nem se mexeu. Puxou três vezes... e caiu sentado, suado e ofegante.
— Isso não é um nabo, é uma rocha encantada! — resmungou, coçando a cabeça.
Chamou então sua esposa:
— Olga! Preciso da sua força de urso!
Ela desceu as escadas, limpando as mãos no avental. Encaixou-se atrás do marido, segurando firme.
— Vamos puxar juntos!
E puxaram.
Nada.
— Isso está começando a parecer teimosia vegetal — disse ela.
Chamaram a neta, a pequena Anya, que correu até o jardim com suas tranças esvoaçantes e o riso solto.
— Vovô, vovó, eu ajudo!
Ela segurou a avó, que segurou o avô, que segurou o nabo.
Puxaram…
Nada.
— Nabo danado! — gritou Anya, com um suspiro frustrado.
O cachorro da família, Sharik, um vira-lata peludo e brincalhão, observava a cena balançando o rabo. Ivan assobiou:
— Venha, Sharik! Precisamos da sua ajuda!
Sharik correu, latiu animado, e mordeu a saia de Anya com delicadeza, puxando.
Puxaram todos…
Nada.
O gato, Murka, que dormia preguiçosamente ao sol, foi acordado por tanto alvoroço. Espreguiçou-se, arqueou o dorso e foi até lá.
— Murka! — disse Olga. — Seu ronronado pode não ajudar, mas sua garra sim!
O gato, com sua dignidade felina, subiu nas costas do cachorro e agarrou-se como pôde.
Todos puxaram de novo…
Nada.
— Isso é um desafio, não uma colheita — disse Ivan, bufando.
Foi então que Anya teve uma ideia.
— E o Ratinho?
Todos se entreolharam.
— O rato da despensa? — disse Olga, surpresa. — Aquele que vive roubando o queijo?
— Esse mesmo. Ele pode ajudar!
Ivan torceu o nariz.
— Um rato? Sério? O nabo pesa mais que ele mil vezes!
Mas estavam sem opções. Olga foi até a cozinha e chamou:
— Pequeno Ratinho! Precisamos de você!
Do buraco na parede, saiu o ratinho cinzento, de olhos vivos e bigodes longos. Seu nome era Mishka. Sempre fora visto como um incômodo, mas naquele dia, sentiu-se importante.
— Eu ajudo, sim! — disse com voz fina e decidida.
Mishka agarrou o rabo do gato, que segurava o cachorro, que segurava Anya, que segurava a avó, que segurava Ivan, que segurava o nabo.
E então…
Todos juntos, numa só voz:
— UUUUUUUUUNNNNNHHHHHAAAAA!!!
Com um estalo gigante, o nabo saiu voando da terra como um foguete. Todos caíram uns sobre os outros, formando uma pilha humana e animal. Terra voou, folhas dançaram ao vento, e no meio da confusão, o nabo pousou com um "tump" sobre um monte de palha.
Por um segundo, silêncio.
Depois, todos começaram a rir. Riram até as lágrimas caírem.
— O ratinho… O ratinho foi a chave! — gritou Ivan.
Mishka inchou o peito de orgulho. Pela primeira vez, ninguém queria expulsá-lo. Pelo contrário — naquela noite, ganhou queijo fresco e um lugar quentinho ao lado da lareira.
E quanto ao nabo? Bem, foi fatiado, cozido, assado, ralado, transformado em sopa, torta, panqueca, e até doces. A aldeia inteira foi convidada. Por semanas, ninguém passava fome.
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