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A Parábola dos Dois Monges e a Jovem à Beira do Rio

Quantas vezes na vida você já opinou sobre os outros?

Julgar parece ser o esporte favorito de muita gente. Será que também é o seu? Talvez você nem tenha percebido, porque é algo que fazemos quase no automático.

Mas esse hábito, tão comum, não ajuda nem a quem é julgado, nem a quem julga. Pense: quantas vezes uma crítica precipitada ou um julgamento mal colocado já prejudicou um relacionamento em sua vida?

Os preconceitos são um dos grandes problemas da nossa sociedade. Eles nos limitam, criam barreiras e oferecem uma falsa ideia sobre o que é certo ou errado. Você costuma julgar com base em princípios ou apenas repete padrões culturais que nunca questionou?

Sim, algumas ideias da nossa cultura ajudam a formar nossa identidade, mas outras apenas nos impedem de enxergar além das aparências. Por isso, não tenha medo de romper com o convencional. Tente ver os outros sob uma nova perspectiva. E para refletirmos melhor sobre isso, ouça com atenção esta parábola atemporal:

A Parábola dos Dois Monges e a Jovem à Beira do Rio

Um velho monge e um jovem monge caminhavam por uma estrada quando chegaram a um rio de correnteza forte. O rio não era tão largo, nem tão fundo, e os dois estavam prestes a atravessá-lo quando uma jovem muito bonita se aproximou.

Ela usava roupas finas de seda, abanava-se com um leque e sorria com olhar insinuante.
— Oh! — disse ela — a água está tão fria, e a correnteza tão forte… Meu quimono vai estragar se eu atravessar. Poderiam, por favor, me carregar até o outro lado?

Ela olhou diretamente para o monge mais jovem, com charme e expectativa.
O jovem franziu o cenho. Achou o comportamento da moça inapropriado, vaidoso e até provocador. Além do mais, pensou ele, monges não devem sequer tocar em mulheres! Então a ignorou completamente e atravessou o rio sozinho, indignado.

Mas o monge mais velho olhou para a moça, sorriu com serenidade, e sem dizer uma palavra, a pegou nos braços e a carregou calmamente até a outra margem. Em seguida, os dois monges seguiram sua caminhada.

O jovem monge, porém, estava revoltado. Caminhava em silêncio, remoendo sua irritação. "Como ele pôde fazer aquilo? Que vergonha! Um monge, tocando em uma mulher... E ainda se submetendo aos caprichos dela?"

Subiram montanhas, cruzaram campos, e o jovem seguia, cada vez mais enraivecido. Até que, não aguentando mais, explodiu:
— Como você pôde carregar aquela mulher? Que tipo de monge é você? Isso vai contra tudo que aprendemos!

O velho monge parou, olhou calmamente para o rapaz e disse:
— Eu a deixei na margem do rio há muito tempo. Mas você... ainda está carregando ela?

E com um leve sorriso, retomou seu caminho.

Essa história é um lembrete poderoso. Ela nos mostra como é inútil carregar ressentimentos, críticas e julgamentos por tanto tempo. Enquanto o monge mais velho ajudou e seguiu em paz, o mais novo ficou preso ao que achava "certo", alimentando raiva e orgulho.

Quantas vezes você já fez isso? Quantas vezes ficou ruminando situações, julgando atitudes, se deixando dominar por sentimentos negativos?

O monge mais velho agiu com compaixão, desapego e leveza. O jovem, com rigidez, julgamento e raiva. A pergunta é: com qual dos dois você mais se parece hoje?

Quando você dedica seu tempo a julgar, você não melhora o mundo — e muito menos melhora a si mesmo. Na verdade, quanto mais você se apega ao negativo, mais infeliz você se torna.

Em vez de julgar, que tal ser apoio para quem está ao seu lado? Em vez de criticar, que tal inspirar com boas atitudes? Ser luz na vida de alguém é muito mais recompensador do que apontar as sombras alheias.

A vida já é difícil o bastante. Em vez de ser uma pedra no caminho, seja um braço estendido. Em vez de repetir julgamentos, ofereça compreensão. É mais simples do que parece — e infinitamente mais sábio.

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